quarta-feira, 1 de maio de 2013

Museu de Arte do Rio - MAR!

Inaugurado em março de 2013, o Museu de Arte do Rio - MAR é o mais novo museu da cidade. Localizado na Praça Mauá ele faz parte do projeto Porto Maravilha, que consiste num conjunto de ações da prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com a iniciativa privada, que visa revitalizar a zona portuária da cidade. A estrutura do museu é composta por dois prédios interligados por um telhado que faz referência as ondas do mar. As salas de exposição ficam no Palacete Dom João VI e no prédio vizinho se encontra a Escola do Olhar, que é voltada para alunos e professores da rede pública de ensino.

Passado o parágrafo de "contextualização" vamos as minhas impressões sobre o MAR: 

Prós - Achei que o museu ficou bastante bonito e com cara de coisa bem feita, sabe? Ele possui um mirante no telhado (onde se pode subir gratuitamente para olhar a vista) e bilheteria, guarda volumes e uma lojinha de lembranças no térreo. As salas de exposição são amplas e com temas diversificados e não faltam funcionários para orientar os turistas e visitantes. Os destaques para mim foram as telas de Tarsila do Amaral (DIVA) e Di Cavalcanti, além das esculturas (perturbadoras e lindas) de Maria Martins, artista que eu não conhecia até então, mas que gostei muito das obras que vi. Também achei bem legal conferir quadros e fotografias que mostram a paisagem (e alguns monumentos) do Rio de Janeiro no passado.

Contras - A região portuária do Rio de Janeiro ainda está longe da revitalização prometida pelo projeto Porto Maravilha (que ainda esta sendo executado), então ir ao MAR é um programa bem legal, mas que fica prejudicado pelo entorno, que está bastante degradado e passa a sensação de ser um local inseguro para se passear. Também não é uma área com opções de lugares legais para comer por perto.Saímos de lá com fome e as opções mais próximas eram um Mc Donald´s e um Subway que nem ficavam tão perto assim do museu. Espero que a conclusão das obras de revitalização acabe com estes inconvenientes porque é uma região com bastante potencial para se desenvolver.

Saldo final: Achei o museu bastante interessante e recomendo a visita. Os problemas do entorno prejudicam, mas não impedem que ir ao MAR seja um bom programa cultural para um final de semana ou feriado!

O MAR:

Endereço: Praça Mauá, 05 - Centro.
Horário de Funcionamento: Terça a domingo, das 10 às 17 horas.
Ingressos: R$ 8,00 (inteira)/ R$ 4,00 (meia).
Gratuidades: Às terças-feiras, o MAR é gratuito para todos. Nos demais dias é gratuito para: alunos da rede pública de ensino fundamental e médio, crianças com até 5 anos de idade, pessoas com idade a partir de 60 anos, professores da rede pública de ensino, funcionários de museus, grupos em situação de vulnerabilidade social em visita educativa, vizinhos do MAR e guias de turismo.

Página Relacionada:

www.museudeartedorio.org.br

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Natal-RN!

Capital do estado nordestino do Rio Grande do Norte, o município de Natal é conhecido por suas belas praias, lagoas, dunas e por ter dias ensolarados a maior parte do ano (por isso o apelido de Cidade do Sol). E isso era tudo que eu sabia sobre essa cidade até aceitar a sugestão do namorado de passarmos uns dias por lá. Eu sempre tinha ouvido falar que o Nordeste brasileiro é encantador e por isso fui com altas expectitativas. Para minha agradável surpresa Natal superou positivamente o que eu estava esperando encontrar, me brindando com praias maravilhosas, cuja a coloração do mar é de um azul que nunca vi igual. Também amei, entre outras coisas, as lindas lagoas, as dunas a perder de vista, o clima quente, porém agradável por conta do vento constante, o artesanato, o forró, a receptividade do povo e a tapioca (que eu nunca tinha experimentado e AMEI).

Fiquei tão empolgada com Natal que resolvi escrever um texto para fazer propaganda da cidade (VISITEM NATAL!!!) e deixar algumas dicas que eu considero interessantes e úteis para quem tiver planejando passar uns dias neste lugar maravilhoso. Seguem as minhas sugestões:

Onde Ficar?

Ponta Negra é hoje a região de Natal que concentra a maioria dos hotéis da cidade. A vantagem de ficar hospedado nesta área é que tudo em volta foi pensado para atender aos turistas, então muita coisa pode-se fazer a pé ou gastando pouco para ir de táxi/ônibus. Existem vários restaurantes próximos, barraquinhas na orla, pontos de táxi e ônibus, feira de artesanato (com direito a show de forró) e até shopping center com cinema. Nós ficamos hospedados no Hotel Pontalmar, que não é baratinho, mas tem uma excelente localização e é bastante confortável. Achei o café da manhã gostoso e variado e eles possuem uma piscina bem legal, que por ficar no último andar tem uma bela vista. Como Natal tem praias incríveis, só fomos à piscina na parte da noite.

Onde Comer?

Eu gostei bastante de três restaurantes que fui na própria região de Ponta Negra: A churrascaria Sal e Brasa, que cobra apenas R$ 29,90 por um gostoso rodízio de carnes com acompanhamentos e música ao vivo; O restaurante Farofa D´água, que possui comida típica e também pratos "comuns" muito bons, com ambiente super agradável e atendimento simpático e meu preferido que é a Casa de Taipa, um restaurante especializado em tapiocas, que tem uma decoração LINDA (parece mesmo que estamos numa cabana, com direito a chão de areia, palha, móveis de madeira colorida...) e comida deliciosa. Para comer nas praias existem várias opções de restaurantes que servem desde o tradicional à la carte, passando pelo self service e tendo até algumas opções do tipo "coma o quanto puder por x reais". Em um desses restaurantes nós optamos, por sugestão do guia, por comer um peixe chamado Cioba. Achei bastante gostoso e recomendo.
Obs.: Alguns restaurantes em Ponta Negra possuem serviço de transfer gratuito (é só pedir para o hotel entrar em contato que eles buscam o cliente de van e depois trazem de volta).O Farofa D´água e o Sal e Brasa oferecem este tipo de transporte.

Onde comprar lembrancinhas?

Na antiga cadeia de Natal funciona atualmente o Centro de Turismo da cidade. O espaço é lindo é conta com uma galeria de arte, 42 lojas de artesanato (que funcionam nas antigas celas), lanchonete e um restaurante, Marenosso, que tem uma vista linda para o mar. Neste centro é possível comprar todo tipo de lembrancinhas por preços que começam em R$1,00! Nas quintas feiras o espaço abriga uma festa chamada Forró com Turista. Eu queria muito ter ido, mas como o "rala bucho" ia até tarde e tínhamos um passeio no dia seguinte bastante cedo acabamos desistindo. Mas além deste existem vários forrós pela cidade, é só procurar. Na ponta Negra (perto do restaurante Farofa D´água) existe uma feirinha de artesanato com basicamente as mesmas opções do Centro de Turismo. Lá também existe lanchonetes e uma área central onde ocorrem shows de forró (esse eu consegui assistir! rs).Também é possível comprar lembrancinhas nas principais atrações turísticas e nas praias.

Onde ir?

Natal e seus arredores têm MIL opções de passeios legais, mas acho que o mais tradicional (e que nenhum turista deve perder) é o passeio de Buggy. É possível optar tanto pelo litoral norte, quanto pelo sul, sendo que a primeira opção é a mais procurada porque passa pelas famosas dunas. Nós optamos pelo litoral norte e foi lindo. Além do visual das praias, dunas e lagoas dessa área ser espetacular foi possível também conhecer o Aquário de Natal, que tem várias espécies marinhas interessantes, com destaque para os pinguins (que eu AMO!), cavalos marinhos (lindos!) e para a possibilidade de se fazer carinho num tubarão! Neste tour ainda são oferecidos os famosos passeios de dromedário (que não fizemos) e a possibilidade de fazer esquibunda, aerobunda e kamikaze nas dunas (que o namorado fez todos! rs). O preço do passeio de Buggy é de 360 reais por carro e precisa ser pago em dinheiro. Nós fizemos com o Nego, do Buggy 109, e foi muito bom e com emoção! Para economizar dividimos com outro casal, ficando em 90 reais por pessoa.
Também acho bastante interessante ir conhecer o Forte dos Reis Magos, que fica no lado direiro da barra do Potengi (perto da ponte Newton Navarro). Essa fortaleza começou a ser construída em 1598 e desde 1949 é tomabada pelo IPHAN. O local é lindo, está muito bem conservado e possui uma vista maravilhosa para o mar. Para melhor atender  aos turistas, o forte conta com guias voluntários que explicam a história do local, lanchonete, banheiros e loja de lembrancinhas.
Distante 25 km de Natal, na praia de Pirangi do Norte, está localizado o famoso Maior Cajueiro do Mundo, que certamente também vale uma visita. Lá é possível caminhar por entre os galhos desta árvore e também observá-la de cima, através de um mirante.O local onde fica o cajueiro também conta com lojinhas de artesanato e venda de castanhas e doces de cajú. O guia nos contou que na época em que a árvore dá frutos é permitido aos turistas tirar os cajús diretamente da árvore.
Falar sobre uma praia ou lagoa específica de Natal é impossível, então nem vou me atrever a recomendar alguma como imperdível... A minha sugestão é que não se perca a oportunidade de conhecer o maior número possível delas durante a estadia em Natal e arredores. Existem algumas praias mais famosas, como Ponta Negra, Maracajaú e Pipa, mas há várias outras opções lindas e que valem uma visita. Em Natal, ficar na piscina do hotel é desperdício!

Empresas de Turismo:

Para quem vai fazer uma viagem de poucos dias ou não está acostumado com a cidade uma boa opção é contratar passeios com empresas turísticas. Nós utilizamos o serviço da Anauê Receptivo para o transfer aeroporto-hotel-aeroporto + citytour (R$80,00 p/ pessoa) e passeio a Maracajaú (R$ 50,00 p/ pessoa). Eles também ficaram responsáveis pelo agendamento do nosso passeio de Buggy. Com a Samila fizemos o passeio a João Pessoa (R$ 55,00). Para quem já conhece o lugar ou vai ficar mais tempo, eu recomendo alugar um carro. Ficar dependendo exclusivamente de táxi não é uma boa opção porque nem todas as atrações são perto e o preço cobrado é só um pouco menor do que o do Rio de Janeiro. O ônibus convencional custa R$ 2,20, mas no único dia em que tentamos fazer uso deste transporte acabamos desistindo por conta da demora.

Espero que as sugestões e comentários tenham sido úteis! E para quem estiver em dúvida sobre o destino de suas próximas férias (ou de um feriadão) fica minha dica: Vá para NATAL! O único problema de visitar esta cidade é que a gente corre o risco de querer ficar por lá!







Páginas Relacionadas:

http://www.pontalmar.com.br/pt/
http://www.churrascariasalebrasa.com.br/
http://www.forrocomturista.com.br/
http://turismo.natal.rn.gov.br/
http://www.omaiorcajueirodomundo.com
http://anauereceptivo.com.br/
http://www.samilaturismo.com.br

Crédito das fotos:
Eu mesma ;)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Lado a Lado!

Tem como não amar a novela Lado a Lado? A trama do horário das 18 horas que a Rede Globo exibe desde setembro e que terá seu último capítulo transmitido na próxima sexta feira foi uma grata surpresa televisiva para todos que consideram importante falar sobre temas como racismo e emancipação feminina. A história me ganhou e hoje assumo, sem medo de parecer brega, que é a melhor novela que já assisti. Ganhou até de Cheias de Charme, que eu adorei, mas cujo perfil mais leve não permitia se aprofundar em certos temas.

A trama escrita por Claudia Lage e João Ximenes Braga conta a história da amizade entre a branca e rica Laura (Marjorie Estiano) e a negra e pobre Isabel (Camila Pitanga) e mostra os diversos desafios que as mesmas enfrentam por ousarem pensar diferente do senso comum da sociedade carioca do início do século XX. Entre outras "afrontas" ao modelo pré-estabelicido Laura trabalha fora e é divorciada, enquanto Isabel é mãe solteira, enriquece como bailarina na França (dançando justamente samba, um ritmo que na época era considerado vulgar) e ainda vira dona de teatro no Brasil. Também é preciso louvar o fato de que a história valoriza a amizade feminina, tema que tantas vezes é retratado como impossível em obras que ajudam a disseminar a falsa ideia de que mulheres sempre competem e nunca se ajudam.

Os protagonistas masculinos também são ótimos. Zé Maria (Lázaro Ramos), par de Isabel, começou como barbeiro virou marinheiro (inclusive participando ativamente da Revolta da Chibata), trabalhou num jornal e finalmente conseguiu ter seu talento como administrador reconhecido ao ser chamado para trabalhar em uma importante fábrica. Seu machismo do começo da trama, marcado por pensamentos que refletem a educação recebida por ele e que reproduziam o senso comum, foi aos poucos se desfazendo no convívio com Isabel.  Já Edgar (Thiago Fragoso), marido de Laura, mostrou-se desde sempre um companheiro sensível as demandas da esposa, apesar de em alguns momentos também falar ou agir guiado por pensamentos ligados ao status quo.

Ao quarteto protagista se somaram personagens interessantes como o núcleo do teatro, responsável pelo alívio cômico da trama; a família de Laura, com destaque para sua mãe Constância (Patrícia Pillar) que é a grande vilã da história com seu pensamento racista e seu apego às tradições; os personagens que vivem no morro, que têm a importante tarefa de tocar em assuntos como racismo, perseguição religiosa e desigualdade social, entre outros tantos que fizeram desta novela uma das mais bem escritas da teledramaturgia nacional. Tratar de temas históricos como a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata e a formação das favelas no Rio de Janeiro também é bastante útil, uma vez que muitos espectadores podem nem se lembrar de quando estudaram tais assuntos na escola ou mesmo não terem tido acesso à essa informação. 

É claro que novela é um produto e que não traz em si a obrigação de ser didática, fiel à realidade ou mesmo de tratar de temas relevantes para a sociedade. Ela pode ser apenas diversão. Mas quando um produto destes, que chega a milhões de brasileiros de todas as classes sociais, traz algo a mais, como é o caso de Lado a Lado, isso é motivo de comemoração. Ver assuntos como emancipação feminina e preconceito racial sendo discutidos abertamente na televisão é ótimo. E mesmo a trama se passando entre 1906 e 1910 percebe-se que estes ainda são assuntos importantes de serem tratados. Basta abrir o jornal ou acessar um portal de notícias para ver que muitas mulheres ainda continuam sendo violentadas e agredidas apenas por terem nascido mulheres e que muitos negros continuam sofrendo preconceito e sendo mal tratados apenas pela cor de sua pele. 

O Brasil de hoje, pouco mais de cem anos após o período em que se passa a história de Lado a Lado, já evoluiu muito. Hoje temos, por exemplo, uma mulher como presidenta do país e um negro como presidente do Superior Tribunal Federal. Em 1910 Dilma Rousseff não poderia nem votar, muito menos ser eleita. Joaquim Barbosa provavelmente nem teria tido acesso à uma Universidade. Então muita coisa mudou para melhor sim, mas não se pode negar que ainda há muito a ser feito para que sejamos efetivamente um país igualitário em relação as ditas minorias. Uma novela como Lado a Lado tem, neste sentido, um papel importantíssimo de nos levar a refletir sobre o fato de que muitas das coisas retratadas na trama ainda ocorrem hoje em dia e que ainda existe um longo caminho pela frente, ao mesmo tempo em que traz também a mensagem de que com união a mudança é possível.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Stieg Larsson- O homem que amava as mulheres!

O sueco Stieg Larsson ficou mundialmente famoso por ser o autor da Trilogia Millenium¹, série de livros que conta a história da hacker Lisbeth Salander e do jornalista Mikael Blomqvist. Larsson também ficou conhecido por tragicamente ter morrido, de um ataque do coração, pouco antes do lançamento de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, primeiro livro da série. Com o falecimento prematuro do escritor, que tinha apenas 50 anos, e com o sucesso finaceiro de suas obras ao redor do mundo surgiu uma disputa entre seu pai e sua esposa pela herança².

E isso era basicamente o que eu sabia sobre o autor até ganhar de presente o livro Stieg Larsson- a Verdadeira História do Criador da Trilogia Millenium, escrito por seu colega, o jornalista e editor Jan-Erik Pettersson. Eu, que gosto bastante do gênero não ficção e tenho queda por biografias, logo me animei a ler o livro. E a história da vida de Stieg Larsson realmente vale a pena de ser conhecida. Muito mais do que um escritor de ficção ele foi um jornalista e ativista que lutou desde a juventude contra o racismo, o neonazismo e o machismo. Saber desta característa de Larsson torna a obra ficcional dele ainda mais interessante, uma vez que se percebe que seus livros estão recheados de temas com os quais o autor realmente tinha familiaridade.

O livro de Pettersson, no entanto, não pode ser classificado como uma biografia clássica. O autor não está preocupado em contar a vida de Larsson de maneira cronológica e opta por sempre descrever o contexto social e político em que os fatos marcantes da vida do autor ocorreram. Pettersson não tem nenhuma restrição em parar de falar da vida de seu biografado para discorrer, por exemplo, sobre conflitos na África ou ascenção de grupos neonazistas na Suécia. Essa contextualização é interessante para que o leitor compreenda melhor as ações de Larsson como ativista, seus textos como jornalista e mesmo sua obra literária, mas por vezes acaba tornando a leitura um tanto quanto cansativa.

Stieg Larsson-  a Verdadeira História do Criador da Trilogia Millenium, lançado no Brasil pela editora Companhia das Letras, é, portanto, uma boa opção de leitura para quem já conhece e gosta do trabalho de Stieg Larsson como autor de ficção e tem curiosidade em saber como foi sua vida. A leitura de sua biografia faz com que a admiração profissional passe a ser também uma admiração pessoal, por alguém que sempre dedicou a vida a combater as injustiças cometidas contra os mais fracos. E faz com que sua morte prematura seja ainda mais lamentável. A sensação que fica ao final da leitura é que mais do que perder um autor que ainda poderia lançar muitos sucessos ficcionais de excelente qualidade o mundo perdeu um cidadão que realmente fazia sua parte por uma sociedade melhor.


Notas de Rodapé:

1- A Trilogia Millenium é composta dos livros : Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Rainha do Castelo de Ar e A Menina que Brincava com Fogo. Após a morte do autor foi encontrado em seu computador um arquivo com a história, incompleta, do quarto livro. A família até hoje não entrou em um acordo sobre a publicação ou não desta obra. Larsson planejava lançar, ao todo, dez livros com Lisbeth Salander e Mikael Blomqvist como protagonistas.

2- Em virtude de seu ativismo político Stieg Larsson recebeu durante toda sua vida diversas ameaças de morte. Por esta razão ele e Eva Gabrielsson, sua viúva, consideraram mais seguro não oficializar sua união. Com a morte do autor e o sucesso financeiro dos livros isso se tornou um problema para Gabrielsson, uma vez que a lei sueca não reconhece a união estável para fins de herança. Mesmo estando juntos há mais de trinta anos, Eva ficou legalmente sem direito a nada. Inclusive metade do apartamento em que ela vivia com Stieg foi para o pai e o irmão do autor, que mais tarde abriram mão disto em seu favor. Desde a morte do autor eles seguem tentando um acordo, mas nada foi efetivado até hoje.










terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Thelma e Louise!

                                                           
                                                                 *Texto com spoilers* 

Até semana passada, quando li uma crítica da Lola a respeito, a única coisa que eu sabia sobre o filme Thelma e Louise era que suas protagonistas se chamavam Thelma e Louise! Ou seja, eu não sabia era nada sobre esta produção de 1991, que levou o Oscar de melhor roteiro original. E admito essa minha ignorância sobre o filme com certa vergonha porque é exatamente o tipo de história que me ganha, por trazer mulheres em papéis realmente interessantes e que trata de uma amizade sincera e verdadeira. Coisa que o cinema costuma retratar como se fosse possível apenas entre homens.E não é!

Louise (Susan Sarandon) é uma garçonete solteira (ela tem um namorado, mas não é casada) e independente, que tem como melhor amiga Thelma (Geena Davis) uma dona de casa cujo marido é a personificação de um completo imbecil (desses que acham que a esposa não passa de mais um objeto da casa, como uma geladeira, sabe?). As duas estão levando suas vidas na rotina até que Louise convida a amiga para uma viagem de final de semana e numa atitude inesperada Thelma resolve ir sem pedir autorização ao marido (ela deixa um bilhete avisando).

Empolgada com a liberdade que nunca teve, Thelma pede a amiga que parem em um bar. Lá ela acaba conhecendo um cara que faz o tipo (criminoso) que acredita que se uma mulher está bêbada e aceitou dançar (ou mesmo flertar) com ele, então ela tem necessáriamente que transar com ele, mesmo sem querer. Felizmente Louise chega a tempo de salvar a amiga, mas no meio da confusão acaba matando o sujeito. E o que era para ser uma tranquila viagem de final de semana acaba se transformando numa fuga desesperada.


Louise tem medo de procurar a polícia para contar o ocorrido porque sabe que numa sociedade machista como a que vivem (e mesmo hoje, mais de vinte anos depois, isso infelizmente ainda acontece) Thelma teria sua posição de vítima questionada, uma vez que todos no bar a viram bêbada e dançando com o seu agressor. Sendo assim as amigas resolvem fugir para o México para não irem para a cadeia, mas os acontecimentos acabam saindo do controle delas de uma forma em que voltar atrás se torna impossível.

O filme tinha todos os ingredientes para se tornar um dramalhão, afinal tudo dá errado e o final está longe de ser feliz. Mas a produção dirigida por Ridley Scott e escrita pela Callie Khouri não toma esse caminho do choro fácil, da vitimização das personagens.Mesmo diante de todo o caos que suas vidas se tornam, Thelma e Louise são seres autônomos, que tomam suas próprias decisões. Erradas ou certas, ninguém as controla. Eu diria que o filme é quase leve, apesar de tratar de temas tão pesados.

Eu li que na época em que foi lançado o filme foi acusado por algumas pessoas de ser anti-homem. Isso, na minha opinião, está longe de ser verdade. Existem dois personagens masculinos ótimos na trama, que realmente querem ajudar Thelma e Louise. Um é o Jimmy (Michael Madsen), namorado de Louise e o outro é o detetive interpretado por Harvey Keitel, que tem o mérito de conseguir ter empatia por elas mesmo sem nunca as ter visto. Ele realmente acredita que nada do que fizeram foi por maldade e que a culpa foi do sistema. Se Thelma e Louise tem um vilão, eu diria que é o machismo. Não os homens.
 

 





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Cine Vitória- Livraria Cultura!

Finalmente consegui conhecer a mais nova livraria da cidade, a filial da Livraria Cultura que inaugurou no prédio do antigo Cine Vitória no centro do Rio de Janeiro no dia 17 de dezembro do ano passado. É a segunda loja desta rede na cidade (a outra fica no shopping São Conrado Fashion Mall) e sem dúvidas é um projeto realizado com muito capricho por parte de seus idealizadores.

A nova Livraria Cultura ocupa um espaço de 3.300 m², com direito a um teatro (Eva Herz) no subsolo e a uma galeria de arte no último andar.  Tudo neste projeto é muito bem pensado e consegue aliar o consagrado estilo da livraria (suas estantes de madeira, carpetes coloridos, letreiros e etc) com a arquitetura interna do prédio. A ideia de fazer uma espécie de rampa em formato de caracol para que os consumidores cheguem a outros andares também ficou ótima, na minha opinião. 

No percurso entre um piso e outro, enquanto gira, o leitor tem a sua disposição várias estantes repletas de livros, separados por assunto, para escolher. E para quem não quer encarar o gira-gira do caracol é possível usar as escadas rolantes da loja. Além de livros, existe uma infinidade de artigos fofíssimos de papelaria, filmes, eletrônicos, música e etc. No último piso eles tem até mesmo um fogão! Li que é para futuros workshops de culinária...E falando em comida, eles também tem um café charmoso para quem quiser fazer uma pausa para o lanche.

Gostei especialmente do cantinho dedicado aos livros infantis, que é uma fofura só e do espaço reservado a coisas da cultura geek. Tenho muitos amigos nerds e tenho certeza que esta parte da livraria vai encantá-los. Também é bem legal eles terem espalhado lousas com trechos de livros escritos em giz por prateleiras da loja.  Só achei ruim a falta de preços nos produtos, acho chato ter que ficar procurando aquelas máquinas de preço ou ter que caçar funcionário para pedir essa informação.

Mesmo menor que a Livraria Cultura do Conjunto Nacional de São Paulo, que tive a oportunidade de conhecer ano passado e que é realmente enorme, a filial inaugurada no centro do Rio de Janeiro é um charme só e merece ser visitada. Acho ótimo que os cariocas possam contar com um lugar assim bem no coração da cidade. Mais do que visitar uma loja, ir à esta livraria é uma experiência muito agradável para os amantes de livros.

A Cine Vitória - Livraria Cultura fica na Rua Senador Dantas, 45 - Cinelândia -RJ

Fonte das Fotos: Página da Livraria Cultura no Facebook.

Página Relacionada: www.livrariacultura.com.br



sábado, 5 de janeiro de 2013

Paris-Manhattan!

Uma das atrações do (excelente) Festival Varilux de Cinema Francês de 2012, Paris-Manhattan finalmente entrou em circuito comercial (pelo menos aqui no Rio de Janeiro) e é uma ótima opção para quem quer ir ao cinema assistir a uma produção divertida e leve, mas sem ser pastelão.

O filme da diretora Sophie Lellouche é uma comédia romântica que conta a história da farmacêutica  Alice (Alice Taglioni), uma mulher apaixonada por seu trabalho e também por Woody Allen, cujos filmes recomenda para seus clientes como terapia complementar aos remédios. Apesar de Alice se dizer  feliz sozinha, sua família insiste em acreditar que ela precisa arrumar um marido para ser plenamente realizada e faz de tudo para lhe apresentar a namorados em potencial. Alice não acredita nessa necessidade de se ter um relacionamento amoroso para ser feliz e se irrita com o comportamento invasivo de seus pais. Porém um inesperado encontro com Victor (Patrick Bruel) a levará a questionar sua convicção em permanecer sozinha. 

Paris-Manhattan não é um filme que vai mudar a vida de ninguém, e nem é essa sua proposta, mas consegue pegar um gênero já bastante desgastado e dar um folêgo novo ao ser uma comédia romântica bem acima da média, com personagens interessantes, diálogos divertidos e uma história simples, mas muito bem contada. Esta produção francesa é garantia de boas risadas e de sair do cinema acreditando no amor. E pra quem (como eu) é fã de Woody Allen o filme ainda tem o bônus de contar com a participação mais do que especial deste diretor.

Onde assistir (Rio de Janeiro):

Estação Sesc Botafogo - Horários: 15:00, 16:40, 18:20, 20:00
 
Estação Vivo Gávea - Horários: 15:20, 17:00, 18:40, 20:15

Unibanco Arteplex - Horários: 14:00, 16:00, 20:00, 22:00 

gina Relacionada: www.ingresso.com.br